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sábado, 3 de setembro de 2011

Poema XLIV

   
 Saberás que não te amo e que te amo
 posto que de dois modos é a vida,
 a palavra é uma asa do silêncio,
 o fogo tem uma metade de frio. 

 Eu te amo para começar a amar-te,
 para recomeçar o infinito
 e para não deixar de amar-te nunca: 
 por isso não te amo ainda.
 Te amo e não te amo como se tivesse
 em minhas mãos as chaves da fortuna
 e um incerto destino desafortunado.



 Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e por 
 isso te amo quando te amo.




 (Retirado de: Cem sonetos de amor)
Pablo Neruda

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